Decidi abrir as hostilidade do blog da JSD Oeiras “Opinião Laranja” com um tema muito pessoal e mesmo tempo muito universal, espero que depois do meu pontapé de saída se sintam à vontade e com vontade de escrever as vossas Opiniões Laranja!
Não concordo com o que por aí se diz sobre esta geração. Sobre esta ser a geração com mais competências, com mais facilidades e que com isso será a geração com a “vida mais facilitada”.
Para mim a nossa geração é sim a geração do “JÁ”. Com isso não quero dizer que saiba lidar com esse mesmo facto ou que possa até melhorar essa realidade inerente à sua condição de “juventude tecnológica”.
O que me faz pensar isso é não só uma das minhas primeiras frases ter sido “… vem cá à nina já!”. Que era a minha, mais longa afirmação para pedir que alguém viesse ter comigo, quando ainda era criança. Alguns de nós fomos assim habituados ao imediato. Mas o verdadeiro imediato nem era esse, que podia levar vários minutos de espera, até a minha mãe ceder ao meu chamamento apressado!
O verdadeiro imediato da nossa geração veio como fruto deste novo mundo em que nascemos…
Ao imediato, de pegar num comando de televisão e em segundos mudar de canal continuamente. Ao imediato, de pegando num computador ter milhares de filmes, músicas e séries ao alcance de um clique. Ao imediato, de poder em segundos ter acesso a todas as notícias do mundo. Ao imediato, de pegar no telemóvel e em momentos saber como está um qualquer familiar ou amigo do outro lado do mundo. Ao imediato, de em segundos ou comprar um livro, uma viagem, um automóvel ou até uma casa pela Internet.
Estamos assim habituados ao tudo e ao nada. Estamos habituados a conseguir tudo rápido e fácil… agora e Já! Mas ao mesmo tempo sentimo-nos constantemente sem nada, ou sentimo-nos com falta de algo mais.
Somos a geração dos “insta stories”, onde a cada momento do dia o mundo sabe o que fazemos e nós sabemos o que o mundo faz, mas ao mesmo tempo o mundo não nos conhece, nem nós conhecemos o mundo.
Temos até licenciaturas mais pequenas e trabalhos mais precários para ajudar nesta demanda do rápido e fácil… agora e já!
Como vamos pensar o mundo que, ainda agora, se está a habituar aos novos desenvolvimentos tecnológicos que criaram o nosso JÁ? Ou estaremos condenados a ser mimados pela nossa visão do mundo rápido e fácil… agora e já?
Tento responder da única maneira que me parece possível, fazendo um exercício de futurologia.
A nossa geração tem meios para fazer o que a anterior não conseguiu, tem a oportunidade de poder ser “os descobridores” do séc. XXI, ou neste caso “os criadores” do novo mundo que se constrói agora. Dominado essencialmente por nós, através das tecnologias com que nascemos e crescemos. Assim espera-se que consigamos ver para além do nosso “agora e já!”, para que possamos construir as oportunidades para amanhã com a esperança que depositam em nós.
Susana Isabel Duarte







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